Museu de Arte Popular da Paraíba receberá lançamento do livro “Jackson do Pandeiro de A a Z”

Museu de Arte Popular da Paraíba receberá lançamento do livro “Jackson do Pandeiro de A a Z”
18 de maio de 2022

Na segunda-feira (23), às 19h, o Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, receberá o lançamento do livro “Jackson do Pandeiro de A a Z”, de autoria de Sandrinho Dupan. Como ponto de partida da obra, figuram as pesquisas feitas por ele, que é curador da Sala de Música do MAPP, para exposições envolvendo aquela que foi a estrela mais brilhante de Alagoa Grande (PB): o Rei do Ritmo. A entrada é franca.
Agregando fonogramas, letras e partituras, o livro percorre 444 músicas, contemplando todo um contexto não apenas material, mas também subjetivo e de ordem mais pessoal, afinal cada canção detém um cenário narrativo vivenciado pelo artista. “A ideia é compartilhar em detalhes a seara criativa jacksoniana, abordando elementos como as letras, melodias e dados dos álbuns, preservando, ainda, algumas músicas que estavam correndo o risco de cair no esquecimento”, explicou o autor.
Saído pela Birosca do Meroveu [Editora, Café e Sebo], “Jackson do Pandeiro de A a Z” foi publicado com recursos da Lei Aldir Blanc. Conforme Sandrinho, o trabalho de busca das informações levou ao menos oito anos, mediante consulta de variadas fontes, a exemplo de periódicos, discos, acervos particulares, dicas de fãs, coleções descartadas de rádios, bem como relatos de historiadores.
Sandrinho destaca que, inicialmente, fazer o livro era apenas um pensamento distante, mas, com a atividade cotidiana tratando do tema – também muito caro a ele – os textos começaram a tomar forma. “Foi surgindo bastante conteúdo biográfico. Então a publicação compõe uma espécie de dicionário das músicas jacksonianas”, disse.
As letras foram transcritas de acordo com o vocabulário cantado por Jackson, respeitando a linguagem coloquial com gírias e regionalismos, segundo acrescentou Sandrinho. “Além disso, as informações são pautadas na primeira gravação de cada música, pois várias delas tiveram
inúmeras regravações”, pontuou.
No prefácio, o produtor musical Ivan Dias assinala que Jackson e sua obra “forrográfica” é ouro, dentro da vastidão dos valiosos minérios da Música Popular Brasileira. “Esse bom garimpo trouxe à tona preciosidades até então desconhecidas e inacessíveis. Raridades perdidas ou esquecidas nas gavetas de discotecas de antigas rádios, nos arquivos da Censura, que atuou fortemente durante o período da produção jacksoniana. Músicas que não foram gravadas, mas ao menos pudemos ver sua letra e quem sabe sonhar em relação a como seria a melodia”, ressaltou.
Mais sobre Sandrinho Dupan
Sandrinho Dupan é músico profissional, curador, produtor cultural e palestrante acerca da música regional nordestina. Especialista em Jackson do Pandeiro e Marinês, ele trabalha no MAPP desde 2013. Junto com o escritor Fernando Moura, que é biografo do Rei do Ritmo, assinou diversas exposições, como a de Elba Ramalho e Antônio Barros & Cecéu.
Como produtor cultural, tem estado em múltiplos eventos na Rainha da Borborema, a exemplo do Troféu Gonzagão e do Festival de Inverno de Campina Grande. No âmbito do Museu, criou o “Sextas Musicais”, com o intuito de elaborar um registro digital dos artistas locais, e participou da execução do Palco do Choro, empreendimento focado em fomentar o gênero na cidade. Desde 2000, atua na área musical, tendo acompanhado artistas como Elba Ramalho, Raimundo Fagner, Chico César, Geraldo Azevedo, Alcione, Trio Nordestino, Os 3 do Nordeste, Genival Lacerda, Anastácia, Oswaldinho do Acordeon, Flávio José e Glorinha Gadelha, entre outros.
Também integrou inúmeros projetos, a exemplo do Sete Notas (SESC/PB); ministrou aulas de percussão para crianças, adolescentes e adultos no Centro Cultural Lourdes Ramalho; e participou da banda base do espetáculo “A Festa do Cangaço”, ladeado por grupos folclóricos como os Tropeiros da Borborema e o Acauã da Serra. Com este último, inclusive, esteve em uma turnê na Itália, em 2010, apresentando-se em dezenas de festivais.
Em 2017, escreveu junto com Ivan Dias, a cartilha “O que é o Forró”, publicada pelo Selo Latus da Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB). O livreto teve lançamento nacional no Rootstock, festival de Cultura Nordestina que ocorre em Minas Gerais, e internacional, com uma versão sendo vendida para o mercado europeu, notadamente em Portugal, Suíça e Alemanha – locais em que procedeu, igualmente, como palestrante.

Texto:
Oziella Inocêncio

Foto: Divulgação