9º Encontro de Formação do PET Saúde promove divulgação e informação sobre cuidado materno e infantil

Você lembra da Rede Cegonha? Conhece a Rede Alyne? O 9º Encontro de Formação do Programa de Educação pelo Trabalho e para a Saúde (PET Saúde), realizado na tarde desta quarta-feira (19), no Auditório de Psicologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, focou na “Rede Alyne – cuidado materno e infantil promovendo a Equidade”.
A formação teve como convidada a enfermeira Laudeci Brito Batista, coordenadora da Rede Alyne em Campina Grande e vice-presidente do Comitê Municipal de Morte Materna, Fetal e Infantil. A profissional explicou que a Rede Alyne é um programa do Governo Federal que atualiza a Rede Cegonha, iniciativa materno-infantil implantada em 2011 e atuante até setembro de 2024, quando o programa é atualizado e batizado de Rede Alyne.
Contudo, Laudeci reitera que não foi apenas uma mudança de nome, mas uma mudança na configuração, estratégia, aumento de componentes e investimento orçamentário a pontos de apoio de atenção materno-infantil e de unidades básicas de saúde, a fim de qualificar serviços e ações, alcançar maternidades, redes de urgência e emergência. “O objetivo prioritário da Rede Alyne é a redução da mortalidade materna, fetal e infantil”, frisou a profissional.
Os estudantes Andrielle Souza, Esther Pontes e Daniel da Silva, dos cursos de Serviço Social, Odontologia e Administração, respectivamente, fazem parte da atual edição do Pet Saúde UEPB. “Muitas pessoas desconhecem a atuação do profissional de Serviço Social dentro da área da saúde, então acho que esta foi uma contribuição muito significativa. Acho que a inclusão de novos cursos acabou resultando em trabalhos e equipes multidisciplinares, que a gente acaba tendo no mercado de trabalho”, comentou Andrielle.
A estudante de Odontologia contou que os petianos, como são chamados, já estão atuando na Secretaria Municipal de Saúde. “O que torna bem didático, pois aqui na Universidade, nossa atuação é totalmente diferente. Lá, é bem mais administrativo. Eu que sou da área da saúde, noto que o contato que temos é completamente diferente”, afirmou Esther. Daniel relatou que sua primeira imagem Pet foi diferente de tudo que ele já tinha visto no curso de Administração. “Essa experiência é boa porque são pessoas de vários cursos, com pensamentos diferentes para se alinhar com o projeto”, disse.
O professor do Departamento de Educação Física, Eugênio Moura, é o coordenador do Grupo Tutorial 05 do PET-Saúde: Equidade, GT organizador da atual formação. O docente está participando do programa pelo segundo ano e afirmou que a atividade de hoje ficará a cargo dos petianos, que vão, entre outros, apresentar a Rede Alyne aos presentes.
A coordenadora geral do Pet Saúde UEPB, Doris Laurentino, informou que a edição do Pet Saúde Equidade começou no ano passado e esta formação tem como foco a Rede Alyne e a ponte com a promoção da equidade. Na UEPB, participam do programa 67 pessoas, entre docentes, tutores, preceptores e estudantes bolsistas e voluntários. Administração, Serviço Social, Pedagogia e Jornalismo são os cursos que a partir desta edição fazem parte do Pet, mesmo não sendo da área de saúde, visando ampliar contextos de atuação.
Rede Alyne
A Rede Alyne é uma estratégia de reestruturação da antiga Rede Cegonha, cujo objetivo é reduzir a mortalidade materna em 25%. Além da expansão das ações voltadas para saúde materno infantil, com investimento total de R$ 1,4 bilhão, o novo programa busca diminuir a mortalidade materna de mulheres negras em 50% até 2027. A iniciativa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, gestante e vítima de negligência médica. O caso levou o Brasil a ser o primeiro país condenado por morte materna pelo Sistema Global de Direitos Humanos em todo o mundo.
Em 11 de novembro de 2002, Alyne da Silva Pimentel Teixeira, mãe de uma criança de 5 anos e grávida de seis meses, se sentiu mal e buscou atendimento em uma unidade de saúde de Belford Roxo (RJ). Sem realização de qualquer exame laboratorial ou de ultrassonografia, ela recebeu um remédio e foi mandada de volta para casa. Dias depois, com o estado de saúde piorado, ela retornou e foi constatado que o seu bebê havia morrido.
Após mais de sete horas de espera, o parto foi induzido para retirada do feto do seu útero, mas não foi bem-sucedido. Ela continuou a passar mal, mas ainda teve que esperar horas por uma cirurgia de curetagem para retirada dos restos. A família foi proibida de visitá-la. Quando os parentes puderam vê-la, o estado de saúde havia piorado, mas, apesar das condições graves que apresentava, ela ainda teve que esperar oito horas até a transferência para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, uma vez que não havia ambulâncias disponíveis.
Nas últimas duas horas de vida, Alyne estava em coma e, na transferência, seus registros médicos foram retidos. No dia 16 de novembro de 2022, Alyne Pimentel morreu. A autópsia determinou hemorragia digestiva como causa da morte. Após o óbito, a mãe da moça foi informada pelos médicos da unidade de Nova Iguaçu que o feto morto há dias dentro de Alyne ocasionou seu falecimento.
Cinco anos depois, em novembro de 2007, a família entrou com uma ação no Comitê pela Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) da Organização das Nações Unidas (ONU). Quatro anos depois, o comitê emitiu condenação ao Brasil por não prestar atendimento adequado desde o surgimento das complicações, determinou indenização para a família e recomendou políticas para melhoria do atendimento a gestantes pelo serviço público de saúde. Em 2014, o governo federal indenizou a mãe de Alyne e entregou um certificado que reconhece a responsabilidade do Estado na morte da gestante.
Texto e fotos: Juliana Rosas (com informações do Ministério da Saúde)
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