Museu de Arte Popular da Paraíba abrigará lançamento do livro “No Beiral do Araçá”, neste sábado (29)

25 de março de 2025

Neste sábado (29), às 17h30, o Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), em Campina Grande, abrigará o lançamento do livro “No Beiral do Araçá”, de Egberto Vital. A ocasião contará com um bate-papo com o autor, sendo presidida pelos escritores André Ricardo Aguiar e Bruno Gaudêncio. A entrada é franca.

Esta, que é a primeira publicação individual em prosa de Egberto, sai pela editora Dromedário, através da Lei de Incentivo à Cultura Aldir Blanc. Misturando lirismo, atmosfera macabra, regionalismo e crítica social, a obra traz 10 contos, distribuídos em 80 páginas e coletados a partir de causos da tradição oral de Esperança (PB). Segundo o autor, eles se conectam dentro de um universo que atravessa séculos, décadas e tempos distintos, por mais que esse recorte não seja explicitamente demarcado. “São histórias que ouvia na casa dos meus avós e que sempre tive vontade de registrar. Só que eu idealizava esse trabalho com ilustrações que acompanhassem os textos e ampliassem os significados do que estava sendo narrado. Então conheci Patrício Diniz, que foi meu aluno no ensino médio, na Escola Monsenhor José da Silva Coutinho, e percebi que ele seria o parceiro perfeito para essa empreitada”, destacou Egberto.

E as influências dele, relacionadas à escrita da obra, foram as mais variadas. “Ao longo da minha trajetória como leitor, fui conhecendo escritores de mistério, como os da coleção Vaga-Lume, especialmente Marcos Rey e Lúcia Machado de Almeida. Com o tempo, descobri Edgar Allan Poe, os Irmãos Grimm… até chegar em Rosa Amanda Strausz e Lygia Fagundes Telles, que talvez sejam minhas maiores inspirações para este livro, tanto em termos estéticos quanto de linguagem. Além da literatura, o audiovisual também me influenciou bastante. Séries de TV como Supernatural, clássicos do cinema de horror e, mais recentemente, produções de streaming, como a brasileira Cidade Invisível, foram fontes de inspiração”, disse.

Adicionadas a esse caldeirão de referências, como pontuou Egberto, figuram narrativas novelescas do final dos anos 80 e início dos 90. “Personagens e entidades sombrias, como ‘a mulher de branco’, de Tieta, ‘o cadeirudo’, de A Indomada, e até mesmo Alexandre, de A Viagem, sempre me despertaram curiosidade e podem ter contribuído para a construção deste projeto literário. Já publiquei alguns contos de horror em antologias, mas um livro composto apenas por textos meus é uma novidade. Arriscava algumas histórias, mas nunca as levava adiante. Porém, com uma maior proximidade com o Clube do Conto da Paraíba, passei a investir mais nesse lado da minha escrita”, detalhou.

“No Beiral do Araçá” tem edição de André Ricardo Aguiar, capa de Klinsmann Emanuel, ilustrações de Patrício Diniz, e participação de Maria Valéria Rezende e Bruno Gaudêncio, com comentários de Clarissa Moura, Rosa Amanda Strausz, Nadezhda Bezerra e Ana Lia Almeida.

Egberto Vital é natural de Esperança, agreste paraibano. Como escritor e acadêmico dispõe de contos, poemas, ensaios e artigos publicados em várias antologias, revistas, anais de eventos, periódicos, jornais e capítulos de livros. Em 2023, lançou “Rasgos Poéticos”, pela Editora Arribaçã, que teve seu lançamento oficial na Feira Literária de Campina Grande. Em 2024, foi o vencedor do II Concurso de Poesia da Arribaçã, com a obra “Fratura Exposta: fissuras”. Inaugurou, em 2023, na Revista Sucuru, a série “Clã[destinos]”, uma sequência de narrativas criadas pelo autor, publicadas de maneira mensal. Atualmente, é membro do Clube do Conto da Paraíba.

Texto: Oziella Inocêncio